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quarta-feira, 16 de março de 2011

Culto da tarde...

"Transmissores da paz" foi o título da mensagem que o Pr. Jónatas Lopes nos trouxe no último Domingo. Os dois últimos capítulos de Ester serviram de base à mensagem. O rei Xerxes, após ordenar a execução de Hamã, toma conhecimento de que Mardoqueu é o pai adoptivo de Ester, chama-o à sua presença e entrega-lhe os poderes que Hamã detinha. Outrora perseguido por Hamã, o judeu Mardoqueu é agora um homem da confiança do rei, a quem este enaltece. Porém, apesar de Hamã, o inimigo dos Judeus, estar morto, a ameaça contra esse povo continuava bem viva, pois Hamã havia enviado cartas para todas as províncias, dando ordens para que os judeus fossem aniquilados.
Ester estava feliz por já não correr risco de vida, mas a sua alegria não era completa. A ameaça que pairava sobre o seu povo toldava essa felicidade. Ela não conseguia desfrutar em pleno da paz que a sua situação lhe trazia, sabendo que havia tantas pessoas inquietas por terem a vida "presa" por um fio. Sobre ela pesava a responsabilidade de levar a paz que sentia àqueles que viviam em circunstâncias assustadoras. E nós, como poderemos viver em paz, sabendo que há pessoas à nossa volta que ainda não ouviram o Evangelho?
Ester, demonstrando mais uma vez uma coragem invulgar, vai ter com o rei e suplica-lhe que revogue as cartas escritas por Hamã. O rei acede imediatamente ao seu pedido e sugere a Ester e a Mardoqueu que sejam eles próprios a escrever as cartas e que depois as selem com o anel real, pois o documento selado com o anel do rei jamais poderia ser revogado. E assim aconteceu. A reviravolta na vida do povo judeu, iniciada com a morte de Hamã e consequente exaltação de Mardoqueu, termina com novas e irrevogáveis leis que salvaguardavam os direitos dos judeus. Isto, como é óbvio, trouxe-lhes paz. A atitude de Ester e Mardoqueu teve consequências espantosas! O facto de eles não terem ficado acomodados ao conforto que as suas circunstâncias lhes proporcionavam permitiu que todo um povo viesse a desfrutar desse mesmo conforto. Que belo exemplo para cada um de nós! Oxalá não nos acomodemos. Ousemos sair da nossa zona de conforto...
É de notar que Mardoqueu teve de percorrer um longo caminho até alcançar tão significativa vitória. Ele precisou de passar pela "peneira", ele andou pelo "vale da sombra da morte". Nós, contudo, raramente estamos dispostos a "passar pelo fogo" a fim de sermos refinados para que seja possível ver a imagem de Deus reflectida em nós. Lembremo-nos sempre de Mardoqueu que passou por tudo isso, mas Deus honrou-o e glorificou-o.
No capítulo 9, vemos que os judeus passaram a ser um povo respeitado e os seus inimigos foram eliminados. O poder de Mardoqueu crescia a cada dia, o que é uma evidência de que Deus sempre nos recompensa. O versículo 18 mostra que eles celebraram esse acontecimento marcante que lhes trouxe a tão almejada paz. Isto, porque Ester e Mardoqueu viveram o Evangelho, foram transmissores da paz. Temos de ter e ser marcos. Sejamos referências para aqueles que nos rodeiam.
Quem sou eu a relacionar-me com o meu próximo? E com as pessoas que não conheço? Quem sou eu no meu lar? Somos emissores de paz? Queremos sempre ser receptores da paz, mas nem sempre estamos dispostos a ser emissores... Dispomos de uma paz inigualável, conquistada por Cristo na cruz, a qual nos foi concedida gratuitamente. Como podemos estar tranquilos, sabendo que tantas pessoas a almejam e até gastam pequenas fortunas, numa tentativa desesperada de a alcançarem?!
Este Domingo tivemos ainda a visita do Pr. Gerald Kangas, uma presença que muito nos alegrou. Este amado irmão falou-nos do notável trabalho desenvolvido pelos Gideões, um pouco por todo o mundo.
Os testemunhos que nos trouxe são a prova de que a Palavra de Deus é "viva e eficaz" e que "nunca volta para trás vazia"... Sem dúvida, um momento muito enriquecedor para todos aqueles que estiveram presentes. Que Deus continue a abençoar e a renovar as forças dos nossos queridos irmãos envolvidos neste ministério. Para saber mais sobre o trabalho dos Gideões, visite o site http://www.gideons.org/ .

domingo, 6 de março de 2011

Culto da tarde...

O tema da nossa Igreja para Março é paz e, neste primeiro Domingo do mês, o Pr. Jónatas Lopes trouxe-nos uma mensagem baseada na fascinante história da vida de Ester, registada no livro bíblico com o mesmo nome.
Esta história mostra-nos que, ao contrário daquilo que nós pensamos e até desejamos, Deus trabalha na sombra e não de uma forma estrondosa e esplendorosa. Ele trabalha nos pequenos detalhes. Esta história é a prova de que não há acasos na vida dos filhos de Deus, pois "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).
Por causa do seu pecado, o povo judeu foi levado cativo para a Babilónia. Isto aconteceu durante o reinado de Nabucodonosor, como estudámos recentemente. Quando o exílio terminou, um bom grupo de judeus optou por não regressar ao seu país e permaneceram na Babilónia. Entre eles, encontrava-se Mardoqueu e a sua prima Ester, que ele criara como filha, visto que esta era órfã.
Reinava Xerxes I, que a determinada altura resolve fazer um banquete, uma festa grandiosa (durou cerca de 6 meses), com o objectivo de exibir a glória e o esplendor do seu reino. A dado momento, o rei, já alegre por causa do vinho que tinha bebido em excesso, decidiu exibir também a beleza da rainha, Vasti. Vasti recusou-se a comparecer na festa do rei e a sua atitude enfureceu Xerxes. (Reparemos em dois "pormenores": a falta de moderação no consumo de bebidas alcoólicas e a desobediência de Vasti. Mais adiante, constataremos que estes pequenos detalhes tiveram grandes consequências.)
A desobediência de Vasti também irritou aqueles que rodeavam o rei, que o alertaram para o impacto negativo que o acto dela iria ter em todas as mulheres do reino, pelo que devia ser punida. Segundo eles, as outras mulheres seguiriam, certamente, o exemplo da rainha, deixando também elas de respeitar e obedecer aos respectivos maridos. Assim - defenderam os conselheiros do rei - Vasti devia ser destituída. O rei Xerxes fez o que lhe sugeriram.
Torna-se, então, necessário arranjar uma substituta. A selecção da jovem era um processo longo, pois tinha que ser alguém que agradasse ao rei pela sua beleza estonteante. Começava-se por reunir as raparigas mais bonitas do reino num aposento real, onde, durante um ano, recebiam os mais variados tratamentos que realçariam a sua beleza natural. Após esse período, as jovens seriam apresentadas ao rei, que escolheria a que mais lhe agradasse.
A judia Ester, que era muito formosa, estava nesse grupo de raparigas e o rei, deslumbrado com a sua beleza, elegeu-a. Estava, assim, encontrada a substituta de Vasti. Ester, até então uma jovem anónima, tornou-se rainha.
Mardoqueu, que a aconselhara a não revelar a sua verdadeira identidade, manteve-se por perto a fim de continuar a acompanhar a vida de Ester. Um dia, estando Mardoqueu à porta do palácio real, ouviu dois guardas do rei falarem sobre um plano para matar o monarca. Mardoqueu informou imediatamente Ester e esta, por sua vez, contou ao rei. Xerxes mandou investigar a situação e chegou-se à conclusão que havia, de facto, uma conspiração contra o rei. Os guardas foram executados e o episódio foi registado no Livro das Crónicas do rei.

O rei tinha uma pessoa da sua confiança, uma espécie de primeiro-ministro, Hamã, que gostava de ser "venerado", pelo que todos aqueles que se encontravam à porta do rei se curvavam perante ele. Mardoqueu, contudo, recusava-se a fazê-lo. Quando inquirido sobre a sua atitude, Mardoqueu explicou que era judeu e, com tal, não se prostrava perante homem algum.

Hamã, furioso com Mardoqueu por ele persistir em não se inclinar perante si, começa a planear uma vingança e projecta matar todos os judeus do reino. Ao tomar conhecimento dos planos para exterminar o seu povo, Mardoqueu fica muito perturbado e exterioriza a sua angústia rasgando as vestes. Ester, ao saber disto, procurou averiguar a origem de tão profunda tristeza. Mardoqueu fez-lhe saber do decreto real que levaria à execução de todo o povo judeu e pediu-lhe que intercedesse por eles junto do rei. Ester, não obstante ficar muito preocupada com o iminente extermínio do seu povo, tentou demover Mardoqueu da solução que ele arranjara, argumentando que ir à presença do rei sem ser chamada equivalia a assinar a sua sentença de morte, pois, por norma, o rei mandava matar quem se apresentasse diante de si sem ser convidado.

Mardoqueu diz a Ester que a sua vida corre perigo, quer se apresente ao rei, quer não, pois, sendo judia, certamente não escaparia ao extermínio. Os argumentos de Mardoqueu não se ficam por aqui. Ele disse a Ester que se ela não estivesse disposta a arriscar-se para livrar o seu povo, Deus enviaria o socorro de outra parte, pois Ele jamais desampara o Seu povo. E ainda vai mais longe e diz-lhe que provavelmente ela chegou ao trono para isso, que esse "acaso" na vida dela talvez tivesse um propósito bem definido: salvar o seu povo. Ester acedeu em atender o pedido de Mardoqueu, mas pede-lhe para que todo o povo fique em oração.

Que belo exemplo para nós! Precisamos de depender sempre de Deus.

Ester termina o seu diálogo com Mardoqueu com uma declaração espantosa: "E assim irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se morrer, morri (Ester 4:16).Que bela demonstração de coragem e que grande amor! E nós, o que é que estamos dispostos a fazer em prol da Obra de Deus? Seremos capazes de dar a nossa vida a Deus?!

Chega o momento de a corajosa Ester ir à presença do rei. Este recebe-a bem e pergunta-lhe o que deseja, ao mesmo tempo que lhe diz que está disposto a dar-lhe até metade do reino. Ela convida-o para um banquete que estava a preparar e pede-lhe que convide também Hamã. Hamã ficou extasiado como convite, pois nenhum outro ministro do rei fora convidado e ainda se ensoberbeceu mais. A única coisa que toldava a sua alegria eufórica era o facto de Mardoqueu não o "venerar". Isso torna-se uma obsessão para Hamã, ao ponto de até fazer uma forca para nela executar Mardoqueu.

Contudo, na noite anterior à festa de Ester, o rei teve insónias e pediu aos seus assessores que lhe lessem o Livro das Crónicas. Eles assim fazem e o rei é recordado do episódio em que a sua vida foi salva por Mardoqueu, que denunciou aqueles que intentavam matá-lo. O rei pergunta, então, que recompensa fora dada a Mardoqueu por tal feito e é-lhe dito que ele não foi distinguido ou honrado por causa do seu acto.

Entretanto, Hamã aparece junto do rei para lhe pedir o seu consentimento para enforcar Mardoqueu e o rei pergunta-lhe o que é que ele acha que se deve fazer à pessoa que agrada ao rei. Hamã, convicto de que o rei se está a referir a si mesmo, pois julga não haver ninguém que agrade mais ao rei do que ele, sugere que vistam a esse homem as vestes reais, que lhe coloquem a coroa do rei, e que o transportem pelas ruas da cidade, montado no cavalo do rei, apregoando-se diante dele: "Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar!".

O rei gosta da ideia e ordena a Hamã que faça tudo isso ao judeu Mardoqueu. Reparemos na ironia da situação. Hamã chega à presença do rei com a intenção de matar Mardoqueu e sai de lá incumbido da missão de o honrar publicamente!

Depois deste episódio humilhante, Hamã chega a casa cabisbaixo e a sua mulher e amigos dizem-lhe algo interessante: "Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes, cairás diante dele". Por outras palavras, eles dizem-lhe que qualquer tentativa que ele faça para o aniquilar está condenada ao fracasso, pois sendo judeu, depende do Senhor Deus que cuida dos Seus filhos.

A festa que Ester organizara acontece finalmente e o rei pergunta-lhe qual é a sua petição. Ela diz-lhe que o que mais deseja é que lhe seja poupada a sua vida e a do seu povo. O rei, indignado com o que ouve, pergunta a Ester quem é que pretende exterminar os judeus e esta revela-lhe que é Hamã.

O rei, profundamente irritado, dirige-se ao jardim do palácio... Quando regressa, encontra Hamã "prostrado sobre o leito em que estava Ester", o qual, apercebendo-se do perigo que a sua vida corre, suplica a Ester que interceda junto do rei para que não o mande executar.

O rei fica chocado com o que vê, pois pensa que Hamã está a tentar seduzir a rainha. Isto faz com que não lhe restem quaisquer dúvidas em relação ao que fazer com Hamã e ordena que o matem na forca que ele próprio preparara para executar Mardoqueu.

Este é o nosso Deus! Ele faz com que os nossos inimigos se deitem na cama que preparam para nós...